Em duas partes, veja diagnóstico, receita da saúde estadual, investimentos e deficiências de medidas do Governo do RN no combate à Covid-19
Hoje faz dois meses da confirmação do primeiro caso da Covid-19 no Rio Grande do Norte. O registro foi no dia 12 de março em Natal. De lá para cá, os números chegaram a 2.033 confirmados e 93 mortes.
Receita
De acordo com dados do Sistema de Gestão Fundiária do RN (Sigef/RN), com informações de 02 de maio, o Fundo Estadual de Saúde do Rio Grande do Norte dispõe de um orçamento de R$ 110,8 milhões.
Desses, R$ 58,2 milhões são de recursos federais transferidos pelo Ministério da Saúde, R$ 46 milhões são do Orçamento Estadual e R$ 6,6 milhões de doações efetuadas pelo Ministério Público do Trabalho, Tribunais Regionais Federais e Pessoas Físicas.
Despesa
Dos R$ 110,8 milhões de receita, já foram empenhados R$ 63,8 milhões, sendo:
- R$ 22 milhões com contrato de 20 leitos de UTI e 20 de enfermaria por 180 dias com a Liga Norte Rio Grandense;
- R$ 19 milhões com contratação de pessoal temporário da área da saúde;
- R$ 8,8 milhões com EPI;
- R$ 4,9 milhões com aquisição de Ventiladores Pulmonares;
- R$ 4,6 milhões com Locação de Leitos de UTI e Plantões médicos;
- R$ 4,5 milhões com material médico hospitalar, laboratorial e contratos de manutenção.
Segundo o Governo, ainda em fase de pesquisa e contratação mais R$ 31,8 milhões pré-empenhados com leitos de UTI, plantões médicos, dietas enterais, equipamentos de UTI e outros produtos de saúde.
Ocupação de leitos
Segundo os dados da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap-RN), existem 26 pacientes na fila de espera para leitos de Covid. Um paciente com prioridade 1 (leito de UTI), um paciente com prioridade 2 (semi-uti) e 24 pacientes com prioridade 3 (leito clínico).
há 100% de ocupação no Hospital Giselda Trigueiro, 90% no Hospital da Polícia e 100% no Hospital Municipal, todos em Natal. Ou seja, todos os leitos da rede pública disponíveis para pacientes de Covid-19, em Natal, estão lotados.
A alta taxa de ocupação de leitos também é preocupante no interior, embora tenha ocorrido uma leve diminuição nesta taxa nas últimas 24 horas. Em Mossoró, há apenas duas vagas em leitos críticos (UTI e semi-uti) no Hospital São Luiz. No Hospital Regional Tarcísio Maia há cinco vagas - dos 17 leitos disponíveis, 12 estão ocupados. Em Caicó, onde há 20 leitos críticos disponíveis, 12 estão ocupados. Em Pau dos Ferros, no Hospital Regional, há oito leitos vagos.
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Vagas em leitos estão mais raras no RN (Foto: Elisa Elsie) |
Novos leitos
Para solucionar, o Governo faz mais promessa: para esta semana, a Sesap tem programado para deixar funcionando no Hospital da PM de Natal 15 leitos com respiradores e mais 12 leitos no Giselda Trigueiro (hoje são 25).
Para Mossoró, está prevista a abertura de 10 UTIs no Hospital Regional Tarcísio Maia e 5 no Hospital Rafael Fernandes, e entre 15 a 20 leitos no Hospital São Luiz. Também está prevista a abertura de 10 novos leitos em Caicó e mais 8 em Pau dos Ferros.
Além disso, há a garantia de que serão abertos leitos infantis: 7 leitos no Hospital Maria Alice Fernandes, na zona norte de Natal - a unidade já possui 3 leitos para estabilização; 3 leitos no Hospital Wilson Rosado em Mossoró e leitos em Caicó e Currais Novos, sem divulgação de números. Hoje não há nenhuma criança internada com a doença no RN.
O secretário adjunto de Saúde do RN, Petrônio Spinelli, garantiu que o Governo já tem disponíveis respiradores para estes leitos. Mas alerta que se o número de pacientes graves continuar crescendo, não haverá novos respiradores para mais leitos.
Amanhã, trarei análise dos números do RN e as falhas do RN no combate à Covid-19.
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